domingo, 21 de agosto de 2011

Coisas de Capoeira

 Olhos fixos num rectângulo emoldurado num friso de castanho-escuro, onde encaixam duas aves que faz tempo vidas brilhantes e douradas tinham partilhado.Olhos esses que avistam nesse quadro de recordação um majestoso mar azul,com a fantástica visão d'um rochedo gasto pela erosão de vidas felizes prometidas em vão.Tenuamente já só se vê pegadas,outrora caminhos de profundos caminhares,esbatidos por tanto calcarrear.Foi quadro lindo sim,talvez ainda o seja,mas o esgar de vista cansada já não deixa que assim seja!

Baptizaram-no com o cognome de raça de galináceo em festa de arrasar, caracterizado por um muco descaído sobre o bico, mas altivo no pavonear das suas reluzentes penas. Não se cansava nunca de vislumbrar aquela elegante silhueta outrora companheira de capoeira, que por desavenças ciumentas assentiu em partir, fazendo um tal reboliço efervescente que deixou toda a comunidade galinácea com as penas eriçadas e mucos retesados. O glu-glu foi constante dia e noite, parecendo mesmo que a espécie se extinguiria em breve, tal o agonizante som provindo dos confins do seu âmago e desajeitado jeito de glu-glar.

Sorria naquele emoldurado caixilho, elegantemente adornada de uma sumptuosa pele coberta de penas sorria ela também, sim, porque em rábulas os animais também o fazem como os humanos, dirvos-ia aqui o humilde escriba se lhe perguntassem como era possível tal?...Já se vê e compreenderam que qualquer semelhança com algo parecido num qualquer recatado lar, é pura coincidência…Adiante!

Sorriam sim, porque se vislumbra no tal caixilho emoldurado um malicioso fricçar de asas do referido, junto ao peito bem provido e eroticamente provocante da sua outrora companheira de encantos, um dos quais, momento de rara inspiração num ovo dourado, uma cria linda e sonhada todos os dias, lhe deu de oferenda abençoada.

Era o orgulho da capoeira, embora de partida também, ficará eternamente presente no emoldurado do caixilho…!!!

Faziam, e fazem parte dos devaneios e loucuras salutares deste estranho animal de capoeira, uns quantos, não muitos, comparsas de curtos voos, sim, porque voar tem muito que se lhe diga, e este apenas voou em defesa das redes que lhe eram confiadas aquando de renhidas disputas em contendas de fim-de-semana. Agora voa baixinho com pouco ou nenhuma sustentação. Apenas dois  o fazem com regularidade e mestria, ao ponto de já terem ganho a liberdade de voar para onde bem lhes aprover, um por opção só já voa mesmo por prazer,escrevendo histórias de vida em jeito de devoção e testemunho deixar,encorajando e deixando os céus entregues a aves mais recentes e ambiciosas, destacando-se uma que se tornou líder d’um mundo emblemático,assim a modos que a mandar para o vermelho,onde por sinal paira a maior ave do mundo,e que também  vai escrevendo entre as nuvens cobrindo um céu azul nas asas de um avião,coisas da vida e que se passem na ocasião. Uns ícones portanto.Mudando-se até vezes sem conta de poiso, não se deixando caçar assim sem mais aquela. Vivem felizes, conta-se, contando assim com tais experiências, tenta também feliz ser o galináceo desprovido e despromovido de “Galo” de capoeira

4 comentários:

acácia rubra disse...

Nem sei que te diga.

E assim fico.

Beijo

redjan disse...

Tu andas lá maluco ... andas, andas !
Abraço & ... que se vá preparando o repasto!

Vitor disse...

...E ficas muito bem acácia.Bjs

-Andar,ando...seguindo o teu trilho,amigo...e o repasto está em marcha ;-))

BlueShell disse...

Senti tanta dor..aqui....
8estou com diz a minha amga Acácia: Nem sei que te diga!